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Os resultados da Petrobras, que repercutiram tão mal no mercado na semana passada, também frustraram os executivos da companhia. Na sexta-feira, na última entrevista de José Sergio Gabrielli como presidente e de Guilherme Estrella como diretor de exploração e produção, ambos reclamaram que as paradas não programadas de plataformas, objeto de fiscalizações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), reduziram em média em 40 mil barris por dia a produção de óleo e gás da companhia.
O avanço na produção média de óleo no país, que atingiu o recorde de 2,022 mil barris diários em 2011, foi de apenas 0,89%, insuficiente para atingir a meta traçada, de 2,1 milhões de barris diários no Brasil. A companhia também aumentou em 2% a produção de combustíveis e em 2,7% as reservas provadas. Mas nada disso foi suficiente para melhorar o resultado do quarto trimestre, quando a estatal registrou lucro líquido de R$ 5,049 bilhões, 52,4% menor que em igual período de 2010.
As críticas dos analistas foram devastadoras. Emerson Leite, do Credit Suisse, publicou um relatório com o título “Podia ter sido bom, mas não foi”. O do Itaú BBA era ainda mais direto: “Realmente desapontador”.
As justificativas dadas pela empresa foram muitas, como mudanças exigidas pelas novas regras contábeis, câmbio desfavorável, rigor da fiscalização da ANP e aumento da importação. Isso, junto com um prejuízo de R$ 4,4 bilhões na área de refino e abastecimento, contribuiu para a formação de uma “tempestade perfeita”.
A adoção da nova regra contábil chamada CPC 19 – que impede a inclusão direta dos resultados das subsidiárias de controle partilhado no balanço das companhias abertas, sendo incluídos somente por equivalência patrimonial – trouxe um impacto de mais de R$ 1 bilhão sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do quarto trimestre, em relação ao anterior. No lucro operacional, o impacto foi superior a R$ 700 milhões.
Almir Barbassa, diretor financeiro da companhia, também avalia que o mercado está tendo dificuldades de acompanhar as exportações da empresa. Ele vê uma confusão entre a contabilização das vendas no exterior com as notificações de exportação informadas na página da ANP na internet. Isso porque, na contabilização da estatal, as vendas realizadas para uma subsidiária fora do país (normalmente a Pifco) entram na conta de estoque ou produto em trânsito. Segundo Barbassa, muitas análises contabilizam essas operações como receita de venda, o que tem impacto direto nas projeções de resultado. O diretor acredita que só aí pode ter surgido expectativa, não concretizada, de um lucro operacional de R$ 700 milhões.
Outro impacto forte, que não é eventual, foi o pagamento de royalties e participações especiais, que subiu 40,8% e 52,4%, respectivamente no trimestre.
Outro efeito perverso para a companhia é a defasagem de preços de combustíveis em relação ao mercado internacional. Em volume, os 387 mil barris diários comprados do exterior subiram 29,4% sobre 2010, puxados pelo salto da demanda, que não foi acompanhada pela produção. Com isso, o superávit de US$ 1,534 bilhão na balança de óleo e derivados em 2010 virou um déficit de US$ 5 bilhões um ano depois.
A alta do petróleo teve outro efeito negativo sobre o balanço, com o pagamento com base no mercado internacional de royalties e PE. O efeito câmbio também não pode ser desprezado na contabilização dos custos. Segundo Barbassa, a empresa teve alta de 6% no custo geral só por causa do dólar.
A redução do preço previsto para o petróleo no longo prazo também afetou as contas da Petrobras, em cerca de R$ 660 milhões. Com a redução de US$ 80 para US$ 75 na previsão a partir de 2016, o cálculo do fluxo futuro de receitas foi afetado. O chamado “impairment” visa “preservar o acionista minoritário”, afirma Barbassa. Mas ele ressalta que a estimativa é conservadora.

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