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Depois de nove anos na Petrobras, seis dos quais na presidência, o economista José Sergio Gabrielli deixa a companhia em um trimestre de resultados bastante fracos. As ações reagiram mal ao balanço de outubro a dezembro e caíram 8,3% (ordinárias) e 7,8% (preferenciais) no fechamento de sexta-feira. Nos comentários sobre os números, os analistas só fizeram um elogio: à indicação do engenheiro José Formigli, atual gerente-executivo do pré-sal, para a diretoria de exploração e produção, no lugar de Guilherme Estrella. “Formigli é um técnico respeitado, ponderado e realista. Tem credibilidade e talvez consiga trazer metas mais realistas para a empresa”, disse Emerson Leite, do Credit Suisse.
O analista se refere a um ponto nevrálgico para qualquer empresa de petróleo: a produção. Entre 2003 e 2011, a da Petrobras cresceu pouco mais de 30%, de 1,5 milhão para 2 milhões de barris, enquanto os investimentos saltaram 280%, para R$ 72,5 bilhões. A produção da empresa anda de lado, não vem atingindo as metas estabelecidas pela própria companhia e fechou 2011 com uma média de 2,022 milhões de barris por dia. Os custos e despesas operacionais também são ascendentes e subiram 27,1% no ano passado.
Se de um lado as reservas cresceram desde 2003 com as descobertas no pré-sal, algumas inclusive ainda não contabilizadas, a Petrobras vem tendo dificuldade de apresentar resultados que justifiquem a máxima de John Rockfeller de que uma empresa de petróleo é “o melhor negócio do mundo”.
O baiano Gabrielli, que volta para Salvador para trabalhar em uma secretaria do governador Jaques Wagner (PT), é muito querido pelos funcionários da Petrobras, mas não deixa saudades no mercado, de quem ganhou antipatia depois da sua participação em defesa dos interesses do governo no processo de capitalização da companhia.
A avaliação dos menos críticos à sua gestão é que ela correu “frouxa” e em um ambiente em que cada diretor cuidava dos interesses de sua área de forma independente, como se a empresa fosse compartimentada. Gabrielli, de fato, é um “intelectual” que nunca procurou exercer pela força o poder do cargo que ocupava. É justamente essa característica, elogiada pelos mais próximos dele, que o mercado espera que seja revertida na gestão da nova presidente, Graça Foster. A engenheira, que toma posse hoje, é considerada mais firme, dura e focada na gestão e nos resultados que seu antecessor.
A notória proximidade de Graça com a presidente Dilma Rousseff e a forma como a relação poderá funcionar em benefício dos interesses da Petrobras – que nem sempre são os do governo – são algumas incógnitas que o mercado agora tenta desvendar. Em um relatório para clientes do Eurasia Group, o analista Christopher Garman fez uma leitura que é parecida com a de muitos: “A proximidade de Graça com Dilma significa que a Petrobras não encaminhará interesses corporativos que possam estar em desacordo com as prioridades do governo. Ao mesmo tempo, Foster está provavelmente mais bem posicionada para defender os interesses da empresa por trás de portas fechadas, por causa de sua proximidade com a presidente.”
Apesar da avaliação quase unânime de que Gabrielli, assumidamente um homem “de partido” (é vinculado ao PT desde a fundação do partido, em 1980), era ideológico e não defendeu a companhia, isso pode não ser de todo verdade. Ficaram conhecidos alguns embates dele com a presidente Dilma e, mais recentemente, sua vã tentativa de convencer a Fazenda a autorizar a equalização dos preços. Mas ele nunca admitiu discordância do governo e, em público, tornou-se ferrenho defensor das medidas consideradas negativas para a companhia pelos analistas.
O analista Marcus Sequeira, do Deutsche Bank, escreveu em relatório que o principal legado de Gabrielli foi o fato de a Petrobras ter se aproximado do governo, especialmente após a descoberta do pré-sal. “Sob sua gestão, o desempenho financeiro da empresa refletiu um forte aumento de preço do petróleo que compensou o limitado crescimento da produção”, escreveu o analista, concluindo que o investimento aumentou acentuadamente, mas o retorno sobre o capital empregado [tanto dos acionistas quanto dos credores] na empresa caiu.
De fato, durante a gestão de Gabrielli a Petrobras passou por uma grande transformação. Mudou o patamar de reservas com o pré-sal, realizou a maior capitalização da história do mercado (US$ 70 bilhões) e obteve o grau de investimento pela Moody´s em 2005. A descoberta do pré-sal aumentou o apetite do governo pela empresa e também seu suposto uso político.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “adotou” a Petrobras quase como um símbolo de seu governo, pegando carona no brilho da empresa que era uma estrela na bolsa. Em dezembro de 2007, a estatal atingiu seu maior valor de mercado: R$ 430 bilhões, o equivalente a 3,4 vezes o patrimônio. A situação piorou drasticamente desde então. No fim de 2011, a empresa valia menos que o patrimônio (0,9 vez), e agora o valor de mercado está igual ao patrimonial.
Uma das maiores críticas de investidores e analistas refere-se ao controle de preços dos combustíveis no mercado interno para o cumprimento de metas macroeconômicas. Poucas vezes o efeito ruinoso dessa política ficou tão claro como no balanço de 2011. Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura, a defasagem média do preço do diesel em 2011 foi de 16% e a da gasolina ficou em 15%.
Para manter a política de preços alinhados no longo prazo e não no curto, a Petrobras teve que comprar combustíveis fora do país pagando em dólares para suprir o crescimento do consumo no Brasil. Pagou mais caro e não pode repassar o custo. “Em 2011, a Petrobras perdeu R$ 500 milhões somente vendendo gasolina importada mais barata”, diz Adriano Pires, do CBIE, que calcula em R$ 7,9 bilhões o saldo negativo da empresa com derivados no ano.
A exigência de maior conteúdo nacional nas compras de bens e serviços também deu à companhia a responsabilidade de reerguer a indústria naval brasileira, e o preço já está sendo pago por meio de atrasos na produção atual e futura. Esse é um consenso de mercado.


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