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Pressionada pelos minoritários, a Inepar, que produz equipamentos para o setor de infraestrutura, óleo e gás, tenta buscar um melhor padrão de governança. A empresa abriu 2012 com o anúncio da criação de um “comitê de relações com o mercado” e comunicou a indicação de um minoritário para o conselho de administração.
Já nesta semana, Atilano Oms renunciou ao cargo de diretor-presidente, que ocupava desde 1968, quando fundou a companhia. Ele permanecerá apenas como presidente do conselho de administração.
A renúncia atende a uma exigência do Nível 1 de governança corporativa da BM&FBovespa – segmento para o qual a companhia migrou em março do ano passado -, que não permite a sobreposição dos cargos.
O irmão de Atilano, Jauvenal Oms, também renunciou ao cargo de diretor administrativo e financeiro e permanece agora apenas como conselheiro.
O substituto de Atilano no comando da companhia será César Fiedler, presidente da Iesa, subsidiária da Inepar que fornece equipamentos para a indústria de petróleo.
A saída de Atilano da presidência era aguardada pelo mercado. Mas os investidores esperavam que isso fosse demorar mais algum tempo, já que, de acordo com o regulamento da bolsa, as empresas têm até três anos para fazer a transição no caso de sobreposição de cargos.
Em um longo processo de reestruturação, que se arrasta desde o começo dos anos 2000, a empresa viu o valor de suas ações cair de aproximadamente R$ 50 na década de 1990 para os cerca de R$ 2,50 a que são cotadas atualmente.
A reestruturação operacional já está praticamente concluída, de acordo com o diretor de relações com investidores, Dionísio Leles. “Nossa carteira de pedidos passou de R$ 1,6 bilhão em 2006 para um patamar próximo de R$ 5 bilhões em 2011.”
Mas a empresa vem trocando os pés pelas mãos no que diz respeito à conclusão de sua reestruturação financeira, o que causou incômodo entre os minoritários.
Uma das trapalhadas diz respeito à incorporação da Inepar Energia, anunciada em 2011. A conclusão dessa operação é crucial pra que a empresa possa vender a fatia da controlada na hidrelétrica Cemat, avaliada em cerca de R$ 350 milhões. Esse valor seria utilizado para quitar parte de uma dívida de R$ 600 milhões com o BNDES.
A incorporação foi atrasada – e deve ser concluída apenas no fim de fevereiro -, pois o comitê que deliberou sobre o valor da Inepar Energia não foi formado por membros independentes, como prevê o parecer 35 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Um erro tolo na avaliação de Abdon Murad Júnior, acionista da Inepar que coordena um fórum on-line pelo qual circulam cerca de 200 investidores da empresa por dia.
O fórum organizado por Murad conseguiu o que parece impossível para muitas empresas: se aproximou da gestão da Inepar e endossou a indicação de um minoritário para uma vaga no conselho de administração.
“O Atilano sempre foi muito aberto a conversa e sugestões”, explica. “Nosso fórum conseguiu reunir as reivindicações dos minoritários e levar até a companhia.”
Por isso, neste mês, quando foi criada uma vaga no conselho de administração da Inepar, Atilano pediu sugestões ao fórum. Entre eles surgiram o nome de Marcos Elias, gestor da Empiricus, que investe na companhia e cobra resultados da Inepar em seus relatórios de análise, e o de Joaquim Paiffer.
Por maioria, o nome de Paiffer, agente autônomo ligado à CM Capital Markets e que detém cerca de 2% das ações da empresa, foi escolhido pelo fórum e a empresa acabou por indicá-lo para o conselho.
Em entrevista ao Valor, Paiffer explica que sempre teve um bom diálogo com Atilano. “O problema é que, com o mercado, o diálogo é mais truncado.”
O administrador, de apenas 26 anos, deve tomar posse no conselho em abril. Entre suas prioridades, afirma, está a responsabilidade de fazer a ponte com os pequenos acionistas.

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